Blog do Tinho
- WELLINGTON SILVA
- Blogueiro.Professor de História e Língua Portuguesa, Gestor Ambiental. E pós-graduando em Educação em Direitos Humanos e Diversidade e em Letras e Literatura Brasileira.
quarta-feira, outubro 26, 2011
SOBRE RATOS E POLÍTICA
Graças à leitura do pequeno livro do Rubem Alves, Conversas sobre Política e outros escritos seus, fomos inspirados a escrever sobre ratos e política como relação inextricável e amizade inseparável. Ou seja, aprendemos que ratos e política foram criados um para o outro, principalmente no Brasil, terra de ratos políticos singulares. Em se tratando de Brasil, desemboca-se no estado de Alagoas, contexto no qual estamos inseridos.
Em primeiro lugar, compreendemos que os ratos na política só existem graças a nós mesmos (as), isto mesmo, somos nós que criamos, alimentamos e mantemos os ratos fortes e robustos na política alagoana. Os ratos estão no poder democraticamente, já afirmara Rubem Alves. Ou seja, por meio do nosso voto, os ratos se proliferam, adentrando-se em todos os setores do poder público.
De acordo com os desenhos animados, os ratos adoram queijo, geralmente os ratos entram pelos buracos para comerem os queijos. Com base em Rubem Alves, julgamos três imagens indispensáveis para compreendermos a amiga política, a saber: ratos, buracos e queijos. Sem essas três imagens, torna-se impossível existir a bela amizade com a velha parceira política. É por isso que afirmamos: ratos e políticas foram feitos um para o outro, graças a nós mesmos (as).
Os ratos na política alagoana entram por meio do nosso voto, somos nós que colocamos os ratos no local dos queijos, os queijos são degustados pelos ratos porque nós permitimos isso. Permitimos democraticamente, inclusive, defendendo suas causas, criando e recriando novos ratos, publicando novos ratos e ressuscitando-os. O voto, quer dizer, os buracos, são criados e bem cuidados por nós mesmos (as). Adoramos abrir buracos para os ratos entrarem, eles já estão acostumados com essa prática democrática.
Os ratos políticos são ágeis e bastante espertos, de uma inteligência inigualável, assim são os ratos, sempre amantes e bons apreciadores de queijos. Os queijos estão lá, são muitos e deliciosos. Os ratos adoram nossos queijos, aliás, os queijos também são frutos do nosso labor cidadão. Aprendemos com José Murilo de Carvalho que Cidadania hoje virou sinônimo de gente, e por falar em gente, o que seria da gente sem o pagamento dos impostos?
Os queijos, quer dizer, nosso dinheiro público, dinheiro do nosso bolso, constitui-se guloseima preferida dos ratos políticos, afinal, somos nós mesmos (as) que alimentamos nossos ratos cotidianamente. Os ratos estão aí, gordos, robustos e bem cuidados por nós. Os ratos matam e morrem por nós, mantenedores da sua prole. A maioria dos eleitores alagoanos adora ratos, pois sem eles os queijos se desperdiçariam. Afinal, queijos (dinheiro público) sem ratos (políticos corruptos) não haveria democracia por aqui.
Os ratos que vão do município de Traipu, "Santo" Palácio República dos Palmares, "Santa" Casa de Mário Guimarães à "Santa" Casa Tavares Bastos e tantas outras "Casas Sagradas" do Dinheiro Público, estão soltos e ágeis como nunca, estão em todo lugar, o caos é generalizado e, como sempre, quem sai perdendo é o povo, criador de buracos para os ratos entrarem democraticamente, através do voto. Por isso, a política sobrevive, graças aos ratos que nós criamos cotidianamente. Afinal, somos ou não somos ótimos criadores de ratos?
Infelizmente, o estado de Alagoas continua sendo um excelente reprodutor de ratos, os ratos proliferam em todos os setores públicos e privados, os ratos não dão trégua, adoram o povo, seu criador. Conforme abordamos, o povo cria seus ratos sem titubear, adora suas espécies, vota nessas espécies, mantém essas espécies, defende essas espécies, em suma, não sobrevive sem essas espécies. "Santos" ratos.
Em 2012 os ratos surgirão e ressurgirão por meio dos buracos criados por nós mesmos e, mais uma vez, se deliciarão com os queijos pagos por nós mesmos. Que bom seria que o povo passasse a odiar ratos e que os ratos não tivessem mais buracos para assim desfrutarem dos nossos queijos. É por isso que ratos e política combinam tanto.
Texto de Adriano Trajano
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